domingo, 30 de dezembro de 2012

A crise do socialismo

                                                CRISE DO SOCIALISMO NO MUNDO

por Velha Toupeira


1 CRISE  DO SOCIALISMO NO MUNDO

[Notas para uma palestra realizada no Espaço Cultural Helena Greco, do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Contagem, em 12 de Julho de 1995.] «O socialismo morreu. Falar dele é fazer a sua oração fúnebre». Esta frase, que podia ter sido publicada na Folha de São Paulo de hoje, foi escrita por um obscuro jornalista francês, Louis Reybaud, em 1854. O socialismo estava então morto no sentido literal da palavra. A repressão à insurreição dos operários de Paris de 23 a 26 de Junho de 1848 fizera de 4.000 a 15.000 cadáveres.

Neste sentido, o socialismo nunca deixou de estar em crise. Se a sua razão de ser é a instauração de uma nova organização social, em que deixe de haver exploração e, portanto, classes sociais e opressão política, o mero facto de o socialismo não triunfar constitui uma crise do socialismo.
A primeira grande crise resultou da derrota na vaga de revoluções que agitou a Europa de 1846 a 1848. Fracassaram então as tentativas do proletariado para se emancipar da burguesia radical.
A segunda crise resultou do esmagamento da Comuna de Paris de 1871. Fracassou a primeira tentativa do proletariado para instaurar uma sociedade socialista.

A terceira crise resultou da derrota e da desagregação do grande surto insurreccional dos soldados e dos trabalhadores das fábricas e dos campos na Europa de 1916 a 1921. Numa fase em que o capitalismo era já imperialista, o socialismo só podia ser internacional. Mas o movimento foi derrotado pelas armas na Hungria e na Alemanha, desagregou-se nos outros países e degenerou rapidamente na Rússia.

A quarta crise resultou da maneira como se operaram as independências dos povos colonizados, desde a segunda guerra mundial até à década de 1970. Ficou manifesta a incapacidade dos trabalhadores para converterem o processo de independência numa revolução social. Os trabalhadores serviram de base para a instauração de capitalismos autóctones.

A quinta crise resultou da desagregação e da recuperação dos movimentos de luta autónoma, que proliferaram e se desenvolveram desde o final da década de 1950 até aos primeiros anos da década de 1980 na Europa de Leste e na Europa ocidental, na América do Norte, na China e em países da América do Sul. A autonomia de que os trabalhadores deram mostras na direcção das suas lutas e no controle exercido sobre muitas empresas ocupadas foi recuperada pelos capitalistas mediante a introdução de novos sistemas de administração e de organização dos processos produtivos.
A história do movimento socialista tem sido a história das crises do socialismo. A crise mais grave do socialismo é o facto de o capitalismo continuar a existir.

No entanto devem observar-se dois aspectos:
1) O movimento nunca foi retomado no ponto inicial. De crise para crise tem-se avançado para novos limiares, em que os trabalhadores visam mais alto. Não é um círculo vicioso, mas uma espiral ascendente. Isto deve-se ao facto de cada grande surto de luta dos trabalhadores obrigar os capitalistas a reorganizarem-se e a remodelarem o sistema de exploração. E é neste sistema renovado que os trabalhadores recomeçam o combate.

2) Mas todos nós temos a noção de que alguma coisa diferente se passou nos últimos anos e que a derrocada dos regimes de tipo soviético foi mais marcante ainda do que qualquer das fases anteriores. Com efeito, é possível apercebermo-nos de que o fim do bloco soviético marcou o epílogo de um ciclo de crise muito longo, que inclui todas as outras crises que acabei de enumerar.

Existem duas grandes tradições no socialismo, uma libertária e a outra paternalista e autoritária. Ambas datam do início do movimento e com frequência a demarcação entre elas não tem sido nítida. A obra de muitos socialistas pode ser interpretada como casos específicos de conjugação de uma e outra corrente.

A tradição paternalista e autoritária propõe as relações sociais existentes no quadro das empresas como modelo da sociedade futura. Pode fazê-lo explicitamente, quando enaltece a organização do trabalho e a disciplina de empresa, ou implicitamente, quando concentra todas as preocupações na tomada do aparelho de Estado central, admitindo portanto que a organização do trabalho não constitui um problema significativo.

Esta tradição paternalista e autoritária é responsável pela relutância que existe nos meios de esquerda em analisar as empresas enquanto aparelho de poder. Isto não impediu, porém, que a crítica prática dos trabalhadores ao sistema empresarial se manifestasse desde muito cedo.

Robert Owen, o primeiro dos socialistas ditos utópicos, fundou em 1825 a comunidade de New Harmony. A terra e as oficinas eram propriedade comum, a agricultura era colectiva e a remuneração era igual para todos. A experiência foi um insucesso, e nas condições económicas de então não podia deixar de o ser. Mas o importante é que se malogrou antes de se terem manifestado os impedimentos económicos mais gerais. A razão imediata do fracasso deveu-se à insatisfação dos pioneiros que participavam na comunidade perante a gestão autoritária de Owen. Em 1826 a comunidade cindiu-se em várias facções e a ruptura tornou-se definitiva em 1827.

Em New Harmony as relações jurídicas de propriedade haviam sido remodeladas, mediante a instauração da propriedade comum e o igualitarismo dos salários. Mas as relações sociais de produção permaneceram inalteradas, pois a gestão continuava a ser autoritária e, portanto, os trabalhadores continuavam despossuídos do controle do processo de trabalho. Os pioneiros que haviam acorrido ao apelo de Owen eram insatisfeitos sociais, experimentadores de formas novas, iluminados, e deparavam-se com quê? Com o autoritarismo inerente às relações de exploração. A coberto do Novo Mundo, era o velho mundo que lhes aparecia. Foi esta a razão interna do fracasso.

O mesmo sucedeu com as outras comunidades inspiradas por Owen, dezasseis nos Estados Unidos e sete na Grã-Bretanha. Em todas surgiu a discórdia entre, por um lado, os operários, que trabalhavam, e, por outro, os filantropos burgueses, que subsidiavam e geriam. Talvez fosse pelos mesmos motivos que a tentativa de Owen de se apoderar da incipiente organização sindical britânica e de aproveitá-la para a generalização dos mecanismos cooperativos de produção e de troca, que pareceu ter tanto êxito entre 1832 e 1834, redundou afinal num novo insucesso.

Robert Owen pretendeu transformar as relações de propriedade, mas deixou intactas as relações de produção, as relações de trabalho. A distinção entre relações de propriedade e relações de produção, que demorou tanto tempo e custou tantos esforços teóricos até começar a ser compreendida e formulada no quadro do marxismo heterodoxo, presidira já, na prática, aos antagonismos sociais que rasgaram por dentro as comunidades fundadas por Owen e pelos seus discípulos. Sob este ponto de vista, a fase iniciada em 1826 com a desagregação de New Harmony só se encerrou na última década do século XX, com a extinção do comunismo soviético.

Se esta perspectiva de síntese estiver correcta, concluímos que ao longo de cento e setenta anos se generalizou na classe trabalhadora a experiência da distinção entre as relações jurídicas de propriedade e as relações sociais de trabalho. Esta distinção foi primeiro feita em 1825, logo no início do movimento operário, pela própria prática de um grupo de trabalhadores mais activos. No entanto, passaram muitas décadas até que aquela distinção fosse formulada teoricamente. Em 1900, no exílio siberiano, Makhaisky foi o primeiro autor a pensar de maneira sistemática a distinção entre relações de propriedade e relações sociais de produção, e a reflectir sobre as implicações desta distinção segundo um ponto de vista revolucionário. A revolução russa de 1917 representou, no quadro marxista, o choque entre o partido bolchevista, que remodelou apenas as relações políticas e jurídicas, e um movimento de massas trabalhadoras, que pretendia levar a reestruturação às próprias relações sociais de trabalho. O mesmo choque se observou, no interior do anarco-sindicalismo, durante a guerra civil de Espanha, entre 1936 e 1939. Mas o triunfo do fascismo em Espanha dificultou a compreensão desta experiência, ou pelo menos a sua difusão. A União Soviética, e depois os outros países do seu bloco, elucidaram os resultados práticos do conflito entre a mera reforma das relações de propriedade e as tentativas de revolucionar as relações de trabalho. A crítica prática dirigida pelos trabalhadores contra o modelo soviético de socialismo foi demonstrada em inúmeras ocasiões, desde o próprio começo da guerra civil na Rússia, em 1918, até ao colossal movimento do sindicato Solidariedade, na Polónia, em 1980 e 1981. Nesta vaga de lutas a crítica teórica revelou um atraso menor do que aquele que a havia caracterizado no século XIX, e durante as décadas de 1920 e 1930, como de novo nas décadas de 1960 e 1970, floresceram as oposições de esquerda ao comunismo de tipo soviético.

É curioso ver que muitos intelectuais e militantes políticos só recentemente acordaram para o fracasso daquilo a que ainda há poucos anos chamavam «socialismo real». O que os preocupa não é o facto de os regimes de tipo soviético não terem aberto oportunidades para a remodelação das relações de trabalho. Só lamentam o facto de aqueles regimes terem deixado de servir de modelo para a tomada do poder político, devido às transformações entretanto operadas no capitalismo. E tanto assim que essas pessoas procuram fazer esquecer que a crítica prática e teórica do comunismo soviético vinha a ser feita desde 1918. As repetidas lutas da classe trabalhadora contra os regimes de tipo soviético não são hoje referidas nem analisadas na grande imprensa e na obra dos intelectuais em voga, e os autores que as relataram ou analisaram não são traduzidos nem editados, ou reeditados.

Mas as angústias dos intelectuais e políticos que só deram conta do fracasso do «socialismo real» depois de toda a gente o ter entendido não fazem parte da crise do socialismo. Fazem parte da crise do reformismo. A social-democracia reformista perdeu o seu programa próprio e tem hoje de converter-se apressadamente ao neoliberalismo.

E isto deve deixar-nos optimistas. Já não é mau, para encetar um novo ciclo do movimento anticapitalista, que o reformismo esteja hoje numa situação tão melindrosa.

A ditadura militar no Brasil

Ditadura Militar no Brasil

Regime Militar de 1964, O golpe militar de 64, Governos Militares , Governo Castello Branco, Governo Costa e Silva, Governo da Junta Militar, Governo Médici, AI-5, Governo Geisel, Governo Figueiredo, Redemocratização, Lei da Anistia, Campanha das Diretas Já,

Constituição 1989
Tanques nas ruas: o primeiro dia do Golpe Militar de 1964

Introdução

Podemos definir a Ditadura Militar como sendo o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar.

O golpe militar de 1964

A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.
Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista.
Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava.
No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.
Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.
O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 (AI-1). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.

GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967)

Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a democracia, porém ao começar seu governo, assume uma posição autoritária.
Estabeleceu eleições indiretas para presidente, além de dissolver os partidos políticos. Vários parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os sindicatos receberam intervenção do governo militar.
Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento de dois partidos: Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o segundo representava os militares.
O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país. Aprovada neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas formas de atuação.

GOVERNO COSTA E SILVA (1967-1969)

Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE (União Nacional dos Estudantes) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil.
Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao regime militar.
A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e seqüestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de oposição armada.
No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 ( AI-5 ). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.
Passeata contra a ditadura militar no Brasil

GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969)

Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker  (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica).
Dois grupos de esquerda, O MR-8 e a ALN sequestram o embaixador dos EUA Charles Elbrick. Os guerrilheiros exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional. Esta lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva".
No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em São Paulo.

GOVERNO MEDICI (1969-1974)

Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como " anos de chumbo ". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de investigação e repressão do governo militar.
Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaia. A guerrilha do Araguaia é fortemente reprimida pelas forças militares.

O Milagre Econômico

Na área econômica o país crescia rapidamente. Este período que vai de 1969 a 1973 ficou conhecido com a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%. Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma base de infra-estrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.
Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro. Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões econômicos do Brasil.

GOVERNO GEISEL (1974-1979)

Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento processo de transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do milagre econômico e com a insatisfação popular em altas taxas. A crise do petróleo e a recessão mundial interferem na economia brasileira, no momento em que os créditos e empréstimos internacionais diminuem.
Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. A oposição política começa a ganhar espaço. Nas eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das grandes cidades.
Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a promover ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Em janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante.
Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da democracia no Brasil.

GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985)

A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de redemocratização. O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha dura continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba são colocadas em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos advogados do Brasil). No dia 30 de Abril de 1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções do Rio Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura, embora até hoje nada tenha sido provado.
Em 1979, o governo aprova lei que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar dentro da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como: Partido dos Trabalhadores ( PT ) e o Partido Democrático Trabalhista ( PDT ).

A Redemocratização e a Campanha pelas Diretas Já

Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos.
Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.
No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal.
Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves fica doente antes de assumir e acaba falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma nova constituição para o Brasil. A Constituição de 1988 apagou os rastros da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país. 

AI-5 (Ato Institucional Número 5) 
O que foi o AI-5, Ditadura Militar no Brasil, determinações, história
 Ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva (esquerda) anunciando o AI-5
O que foi o AI-5
O AI-5 (Ato Institucional número 5) foi o quinto decreto emitido pelo governo militar brasileiro (1964-1985). É considerado o mais duro golpe na democracia e deu poderes quase absolutos ao regime militar. Redigido pelo ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva, o AI-5 entrou em vigor em 13 de dezembro de 1968, durante o governo do então presidente Artur da Costa e Silva.
O AI-5 foi um represália ao discurso do deputado Márcio Moreira Alves, que pediu ao povo brasileiro que boicotasse as festividades de 7 de setembro de 1968, protestando assim contra o governo militar. A Câmara dos Deputados negou a licença para que o deputado fosse processado por este ato.
Determinações mais importantes do Ato Institucional Número 5:
- Concedia poder ao Presidente da República para dar recesso a Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas (estaduais) e Câmara de vereadores (Municipais). No período de recesso, o poder executivo federal assumiria as funções destes poderes legislativos;
- Concedia poder ao Presidente da República para intervir nos estados e municípios, sem respeitar as limitações constitucionais;
- Concedia poder ao Presidente da República para suspender os direitos políticos, pelo período de 10 anos, de qualquer cidadão brasileiro;
- Concedia poder ao Presidente da República para cassar mandatos de deputados federais, estaduais e vereadores;
- Proibia manifestações populares de caráter político;
- Suspendia o direito d

Presidentes da Ditadura Militar no Brasil
Os presidentes do Brasil na época da época da Ditadura militar, governos militares do Brasil
Presidentes da Ditadura Militar no Brasil
 Castelo Branco
Mandato: 15/04/1964 a 15/03/1967
Governo (realizações, acontecimentos, atos):
- cassações políticas
- fim da eleição direta para presidente, criação do bipartidarismo
- limitação de direitos constitucionais
- suspensão da imunidade parlamentar
 Arthur da Costa e Silva
Mandato: 15/3/1967 a 31/8/1969
Governo (realizações, acontecimentos, atos):
- Ato Institucional nº 5 (AI-5)
- política econômica voltada para o combate da inflação e expansão do comércio exterior.
- investimentos nos setores de transporte e comunicações
- reforma administrativa
 Junta Governativa provisória
Mandato: 31/08/1969 a 30 de outubro de 1969
Formada por:
- Aurélio de Lira Tavares, ministro do Exército;
- Augusto Rademaker, ministro da Marinha, e
- Márcio Melo, ministro da Aeronáutica.
 Emílio Garrastazu MédiciMandato: 30/10/1969 a 15/3/1974
Governo (realizações, acontecimentos, atos):
- repressão política; "Anos de Chumbo" - exílios, tortura, prisões, desaparecimento de pessoas, combate aos movimentos sociais e censura.
- "Milagre Econômico" - forte crescimento do PIB
- propaganda patriótica
 Ernesto GeiselMandato: 15/03/1974 a 15/03/1979
Governo (realizações, acontecimentos, atos):
- propôs a abertura política desde que fosse "lenta, gradual e segura"
- aumentou o mandato de presidente de 5 para 6 anos
- criação do senador biônico
- alta da inflação e dívida externa
- restauração do habeas corpus e fim do AI-5
 João Baptista FigueiredoMandato: 15/03/1979 a 15/03/1985
Governo (realizações, acontecimentos, atos):
- início da transição para o sistema democrático
- restabelecimento do pluripartidarismo
- crise econômica, greves, protestos sociais
- restabelecimento das eleições diretas para governadores dos estados
e habeas corpus (em casos de crime político, crimes contra ordem econômica, segurança nacional e economia popular).

O que é o ditadura, forma de governo, poder, uso da força para governar, falta de democracia
Ditadura: uso da força para governar e falta de democracia
O que é ditadura e características
Ditadura é uma forma de governo em que o governante (presidente, rei, primeiro ministro) exerce seu poder sem respeitar a democracia, ou seja, governa de acordo com suas vontades ou com as do grupo político ao qual pertence. 
Na ditadura não a respeito à divisão dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). O ditador costuma exercer os três poderes.
Para evitar oposição, as ditaduras costumam proibir ou controlar os partidos políticos. Outras táticas ditatoriais envolvem a prisão de opositores políticos, censura aos meios de comunicação, controle dos sindicatos, proibição de manifestações públicas de oposição e supressão dos direitos civis. 
Os governos ditatoriais costumam apoiar seu poder no uso das forças armadas.
Entre os anos de 1964 e 1985, o Brasil foi governado por uma forma de governo deste tipo. Sem eleições diretas para presidente da república, vários militares se alternaram no poder.
Diretas JáA História das Diretas Já, o que foi, objetivos, eleições diretas, movimento pela democracia, comícios
 Comício pelas Diretas Já na Praça da Sé na cidade de São Paulo (1984)
Introdução

Diretas Já foi um movimento político democrático com grande participação popular que ocorreu no ano de 1984. Este movimento era favorável e apoiava a emenda do deputado Dante de Oliveira que restabeleceria as eleições diretas para presidente da República no Brasil.
Manifestações populares
Durante o movimento ocorreram diversas manifestações populares em muitas cidades brasileiras como, por exemplo, passeatas e comícios. Estes eventos populares contaram com a participação de milhares de brasileiros.

Participações
O movimento das Diretas Já contou com o apoio de diversos políticos da época como, por exemplo, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, José Serra, Mário Covas, Teotônio Vilela, Eduardo Suplicy, Leonel Brizola, Luis Inácio Lula da Silva, Miguel Arraes, entre outros. Teve também a participação de artistas, jogadores de futebol, cantores, religiosos, etc.

Votação e decepção popular
Em 25 de abril de 1984, a emenda constitucional das eleições diretas foi colocada em votação. Porém, para a desilusão do povo brasileiro, ela não foi aprovada.

Eleições indiretas
Em 15 de janeiro de 1985, ocorreram eleições indiretas e Tancredo Neves foi eleito presidente do Brasil. Porém, em função de uma doença, Tancredo faleceu antes de assumir o cargo, sendo que o vice, José Sarney, tornou-se o primeiro presidente civil após o regime de Ditadura Militar (1964-1985).
As eleições diretas para presidente do Brasil só ocorreriam em 1989, após ser estabelecida na Constituição de 1988.
- Impunha a censura prévia para jornais, revistas, livros, peças de teatro e músicas.
Fim do AI-5
No ano de 1978, no governo Ernesto Geisel, o AI-5 foi extinto e o habeas corpus restaurado.